TOLSTÓI, O EDUCADOR LIBERTÁRIO E A ESCOLA DE YASNAYA POLYANA

TOLSTÓI, O EDUCADOR LIBERTÁRIO E A ESCOLA DE YASNAYA POLYANA (IÁSNAIA-POLIANA)

Vá em paz, Conde

(postagem de 2008)

http://www.storytellers.com.br/2008/10/v-em-paz-conde.html  

O Blog Action Day movimentou a blogosfera em sua última edição, realizada na semana passada. Pra quem não sabe, o intuito da ação, criada pelo australiano Collis Ta’eed, é influenciar e promover reflexões em milhares de leitores de blogs acerca de temáticas recorrentes a todos nós. Esse ano (2008) o tema foi pobreza.


Pois bem, dessa vez os resultados parecem ter sido menores que os do ano passado, mas não deixam de ser animadores. Mais de 12 mil blogs produziram uma média de 14 mil posts, atingindo uma audiência de mais ou menos 13 milhões de leitores.

Ok, debater é excelente, mas em tempos de eleição, a pergunta que mais interessa é a seguinte: e aí, como é que toda essa teoria vira prática?

Em algum ponto da história, mais precisamente na complexa Rússia do século XIX, houve alguém que, mesmo nobre e rico, saiu do blá-blá e partiu para a ação. Estou falando de ninguém menos que o Conde Lev Nikoláievitch Tolstói.

Qual foi sua contribuição para o mundo? Estupendas obras literárias, como Guerra e Paz e Anna Karênina, só pra citar as mais conhecidas. Mas Tolstói fez muito, muito mais por nós. Suas opiniões sobre temas como teologia, ciência e política, por exemplo, despertaram o interesse de um certo advogado indiano, um tal Mahatma Gandhi, que inspirou-se nas palavras e pensamentos do autor para fortalecer os princípios de sua revolução.
Mas não é preciso ir até à Índia para conhecer seus feitos pela educação e pelo social. Bem ali, em Iásnaia-Poliana, onde morava, Tolstói dedicou parte de sua vida a cuidar da educação dos filhos dos camponeses.

Criou uma escola para seus mujiques e uma metodologia muito particular de ensino. Ele não acreditava muito nas obras pedagógicas de sua época, achava que eram “por demais preocupadas com esquematizações e didatismos e de menos com os reais interesses das crianças que – de acordo com ele, deveriam ser despertadas para uma aprendizagem participante e criativa”.*

Tolstói não cobrava faltas nem exigia provas. Não havia lição de casa nem chamada oral. Ensinava as coisas simples e importantes da vida da maneira que todos nós, desde os primórdios, aprendemos, ou seja, por meio de histórias. Dê só uma olhada:

A rã e o leãoUm leão escutou uma rã coaxando e se assustou, pois pensou que fosse um animal grande, gritando daquele jeito. Ele ficou à espreita e viu a rã sair do pântano. O leão esmagou-a com a pata e disse:– De agora em diante, não vou me assustar sem antes ver o que é.
O macaco e as ervilhasUm macaco andava com as mãos carregadas de ervilhas. Uma ervilha caiu no chão; o macaco quis pegá-la e derrubou todas. Então, ficou bravo, espalhou as ervilhas e saiu correndo.
Estudar era uma atividade lúdica, uma diversão. Assim como era para Monteiro Lobato, de certa forma, aqui no Brasil.

Quando Tolstói morreu, as cartilhas já estavam na trigésima edição, com tiragem de cem mil exemplares cada uma, tendo seus contos sido traduzidos em diversas línguas. Em carta enviada a uma prima, Tolstói disse que “se duas gerações de crianças russas, desde os filhos da realeza até dos camponeses, aprendessem as primeiras letras em sua Cartilha e dela recebessem as primeiras impressões poéticas, ele poderia morrer em paz”. Dito e feito.

*Para saber mais – Contos da Nova Cartilha – Liev Tolstói
PS: Agradecimento especial ao professor Samuel Titan Jr, que deu a dica do livro, assim como para Aurora F.Bernardini, autora do prefácio do mesmo.
PS2: Um ex-aluno de Tolstói, Vassíli Marózov, retribuiu o ensinamento de seu mestre escrevendo um livro que conta a vida dos estudantes em Iásnaia-Poliana.
PS3: Além dos contos maravilhosos e folclóricos, fábulas, descrições e histórias verídicas, há várias adivinhações no livro de Tolstói, como esta: “Come depressa, mastiga bem, não engole e não dá pra ninguém”. Pense bem. Resposta nos comentários.

Uma mistura de gostos, interesses e paradoxos, todos juntos ao mesmo tempo agora.

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 A alameda do portão de Yasnaya Polyana até a casa de Tolstói
 Yasnaya Polyana (em russo: Я́сная Поля́на, literalmente: “Clareira limpa”) é o nome da residência do escritor Leon Tolstói, onde nasceu, escreveu os livros clássicos Guerra e Paz e Ana Karenina e foi sepultado. Tolstói referia-se a Yasnaya Polyana como “reduto literário inacessível”.[1] Fica localizada a 12 quilômetros sudoeste de Tula e 200 quilômetros de Moscou na Rússia.
Em junho de 1921, a antiga propriedade privada foi nacionalizada e se tornou um museu e memorial oficiais sob os cuidados de Alexandra Tolstói, filha do escritor. O diretor atual do museu é Vladimir Tolstói, outro dos descendentes de Tolstói. O museu contém objetos pessoais e mobília da família, bem como uma biblioteca de 22.000 volumes. A área do museu é composta pela mansão do escritor, a escola fundada para os filhos dos camponeses e um parque onde se encontra a sepultura de Tolstói.(…)
León Tolstói: O educador libertário dos camponeses, por Paulo Marques

  
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