FERRER E A EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA

Francesc Ferrer i Guàrdia (Alella, 10 de janeiro de 1859  — Barcelona, 13 de outubro de 1909[1] ) foi um pensador anarquista catalão, pedagogista, criador da Escola Moderna (1901), um projeto prático de pedagogia libertária.
  
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francesc_Ferrer

http://portal.aprendiz.uol.com.br/2013/10/03/conheca-a-historia-do-educador-morto-por-fundar-escola-libertaria/

 

 

“Os meninos e meninas terão uma liberdade insólita, farão exercícios, jogos e relaxamentos ao ar livre, insistiremos no equilíbrio com o entorno natural e com meio, na higiene pessoal e social, desaparecerão as provas, os prêmios e os castigos. Teremos especial atenção a questão da higiene e da saúde. Os estudantes visitarão centros de trabalho – as fábricas têxteis de Sabadell, especialmente – e farão excursões de exploração. As redações e os comentários dessas vivências por parte de seus protagonistas se converterá em um dos eixos da aprendizagem. E isso será levado também às famílias dos alunos, mediante a organização de conferências e debates dominicais”.

O trecho acima parece dizer respeito ao que entendemos hoje por educação integral, democrática ou libertária, mas foi proferido há mais de cem anos, pelo educador catalão Francisco Ferrer y Guardia em seu livro “La Escuela Moderna”, disponível aqui em espanhol.
Guardia, que foi executado após um julgamento notoriamente injusto há 104 anos, na Espanha, foi um pioneiros da educação libertária e fundou a Escola Moderna, que funcionou entre 1901 e 1909, ano de sua morte. Apesar de a condenação ter partido de uma falsa acusação sobre a participação do educador em um atentado, ela é atribuída principalmente ao seu trabalho educativo.
Considerada a primeira experiência de educação mista e laica em Barcelona, levantou grande antipatia do clero e de seus devotos por promover a igualdade. A escola buscava uma educação secular, racionalista e não coercitiva, visando o desenvolvimento integral do estudante.
Pensamento livre
Apesar de ter mensalidades, que restringiam a participação de crianças de classes populares, a ideia era que o próprio funcionamento da instituição englobasse filhos de trabalhadores, praticando a solidariedade ativa. Também havia uma busca por professores que entendiam que seu papel era de apoio e não de repressão.
A escola, que fomentava o pensamento livre e a não-competitividade, possuía um laboratório, um museu natural, uma biblioteca e buscava instalações bem iluminadas, além de publicar um boletim produzido por estudantes. Aulas e apresentações de teatro e até uma Universidade Popular para adultos também estavam no programa deste colégio, que formou centenas de alunos.
Crime de fundar escolas
Anatole France, presidente da Liga Internacional para a Educação Racional da Infância, organização cocriada por Ferrer, declarou na ocasião de sua morte que o crime do catalão “era ser republicano, socialista, livre pensador; seu crime foi ter criado o ensino laico em Barcelona, ensinado a milhares de meninos a moral independente; seu crime foi o de ter fundado escolas”.
A experiência de Ferrer não acabou com sua morte. Apenas em São Paulo, duas Escolas Modernas foram fundadas, em 1909 e 1913, por sindicalistas anarquistas. John Dewey, teórico da Nova Escola, também fundou uma em Nova Iorque, nos EUA. Dentre os pensadores influenciados pelo pensamento do catalão, destaca-se o educador brasileiro Paulo Freire.
Cassadas pelos governos da época, que acusavam as escolas modernas de “ninhos do anarquismo” e “escola de bandidos”, elas proliferaram pelo Brasil adotando novos nomes. Até 1920, foram fundadas pelo menos 30 escolas seguindo a mesma metodologia, no Rio de Janeiro, interior de São Paulo, Pará, Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia.
Eventos resgatam memória do educador
A Biblioteca Terra Livre realizará duas atividades em outubro para lembrar os ensinamentos do educador catalão. No dia 6/10, domingo, 16h, será exibido o filme A Língua das Mariposas. Após o filme, haverá um debate sobre as influências do ensino racionalista no contexto da Revolução Espanhola. A atividade acontecerá na Casa Mafalda, localizada à Rua Clélia, 1895, Lapa, São Paulo.
No dia 13/10/2013, aniversário da Morte de Ferrer, haverá um evento no Centro de Cultura Social de São Paulo, na rua General Jardim, 253, sala 22, às 17h. A iniciativa visa debater o legado do pensador a partir de jornais anarquistas da época, assim como textos e poesias de Ferrer e contará com a presença da doutoranda em educação Luciana Santos. A entrada é franca.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francesc_Ferrer

Biografia

Francesc Ferrer i Guàrdia nasceu em Allela (uma pequena localidade perto de Barcelona) em 10 de janeiro de 1859, filho de pais católicos, cedo se tornou anticlerical e juntou-se à loja maçônica Verdad, de Barcelona. Apoiou o pronunciamento militar de 1886, que pretendia proclamar a República, mas diante do fracasso deste, Ferrer teve de exilar-se em Paris. Sobreviveu ensinando espanhol até 1901, e durante este período criou os conceitos educativos que aplicaria em sua Escola Moderna. Isso tudo foi possível com a ajuda da Dama Marcela Carolina.

Escola Moderna

A Escola Moderna transformou-se em um movimento de caráter internacional de apoio dos trabalhadores a educação antiestatal e anticapitalista.
Segundo Maria Aparecida Macedo Pascal, “Ferrer desenvolveu o método racional, enfatizando as ciências naturais com certa influência positivista, privilegiando a educação integral. Propõe uma metodologia baseada na cooperação e respeito mútuo. Sua escola deveria ser freqüentada por crianças de ambos os sexos para desfrutarem de uma relação de igualdade desde cedo. A concepção burguesa de castigos, repressão, submissão e obediência, deveria ser substituída pela teoria libertária, de formação do novo homem e da nova mulher. Ferrer considerava que o cientificismo não era um saber neutro. Aqueles que tem o poder se esforçam por legitimá-lo através de teses científicas”.

Perseguição e prisão

Devido a intolerância da igreja, em 1906, Ferrer foi preso sob suspeita de envolvimento no ataque de Mateu Morral, ex-colaborador de curta passagem, como tradutor e bibliotecário da Escola, que perpetrou um atentado frustrado contra o rei Afonso XIII de Espanha, sendo absolvido um ano depois. Entretanto, durante sua estadia na prisão a Escola Moderna foi fechada. No ano seguinte, viajou pela França e Bélgica; neste último país, fundou a Liga Internacional para a Educação Racional da Infância.

Execução

Em 13 de outubro de 1909 foi executado na prisão de Montjuïc durante a lei marcial, acusado de ter sido o instigador da revolta conhecida como a Semana Trágica de Barcelona em 1909.

Legado

Pouco tempo depois de sua execução, numerosos partidários das ideias de Ferrer criaram Escolas Modernas em vários países associadas aos sindicatos, inclusive no Brasil vinculados a Confederação Operária Brasileira – COB. A primeira Escola Moderna do Brasil foi fundada em São Paulo em 1909, e funcionou na Av. Celso Garcia, 262. Em 1913 a Escola Moderna n.º 2 foi fundada, também em São Paulo, pelo anarquista e sindicalista Adelino Tavares de Pinho, e em 15 de junho de 1915, a Universidade Popular de Cultura Racionalista e Científica criada pelo sindicalista e anarquista Florentino de Carvalho. A primeira e mais notável Escola Moderna dos Estados Unidos foi fundada em Nova Iorque, em 1911. Suas ideias libertárias influenciaram a filosofia educacional da Nova Escola de John Dewey e a pedagogia de Paulo Freire, no Brasil, entre outros.

Ver também

Bibliografia

  • SAFÓN, Ramón. O racionalismo combatente de Francisco Ferrer Guardia. Imaginário. São Paulo. 2003. 96p.
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