MARCUSE – LIVRO: "O HOMEM UNIDIMENSIONAL"

“A Ideologia da Sociedade Industrial – O Homem Unidimensional”

*baixar 38 páginas do livro com 237 páginas
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgP4QAL/marcuse-h-homem-unidimensional#

. “ aquilo que é não pode ser verdadeiro.” Aos nossos \. t11ti/JI): .

olhos e ouvidos bem adestrados, essa declaração é irreverente cJ / ; , e ridícula, ou tão ultrajante quanto a outra, que parece dizer o lAAJ .lV”‘LD’ ,.:i/ oposto: “o que é real é racional”. No entanto, na tradição do I 17 ; ‘~ cadoramente resumida, a idéia de Razão que guiou a sua lógica. .
Mais ainda, anibas expressam o mesmo conceito, a saber, a estrutura antagônica da realidade, e do pensamento tentando compreender a realidade, O mundo da experiência imediata – o mundo em que nos encontramos vivendo – deve ser compreendido, transformado e até subvertido para se tornar aquilo que verdadeiramente é.
Na equação Razão = Verdade = Realidade, que reúne os mundos subjetivo e objetivo numa unidade antagônica, a

Razão é o poder subversivo, o “poder do negativo” que estabelece, como Razão teórica e prática, a verdade para os ho- mens e as coisas – isto é, as condições nas quais os homens e as coisas se tornam o que realmente são. A tentativa de demonstrar que essa verdade da teoria e da prática não é uma condição subjetiva, mas objetiva, foi a preocupação original do pensamento ocidental e a origem de sua lógica – lógica, não no sentido de uma disciplina especial da Filosofia, mas como o modo de pensar apropriado para compreender o real como racional.
O universo totalitário da racionalidade tecnológica é a mais recente transmutação da idéia de Razão. Tentarei, neste capítulo e nos que se seguem, identificar algumas das principais etapas do desenvolvimento dessa idéia – o processo pelo qual \

r a lógica se tornou a lógica da dominação. Tal análise ideoló- ‘-(Ira poêle contnoufrpaiã’-‘ã-êõíi:ipr-eensao do desenvolvimento real, visto que é focalizada na união (e na separação) da teoria e da prática, do pensamento e da ação no processo histórico – um. desdobramento da Razão teórica e prática numa só.
O universo operacional fechado da civilização industrial desenvolvida, com a sua aterradora harmonia entre liberdade e opressão, produtividade e ‘destruição, crescimento e regressão está pretraçado nesta idéia de Razão como um projeto histórico específico. As fases tecnológica e pré-tecnológica comparti- lham certos conceitos básicos sobre o homem e a natureza, que expressam a continuidade da tradição ocidental. Dentro desse contínuo, diferentes modos de pensar se entrechocam; pertencem a maneiras diferentes de apreender, organizar e modificar a sociedade e a natureza. As tendências estabilizadoras entram em conflito com os elementos subversivos da Razão, o poder do ~ pensamento positivo com o do negativo, até que as realizações \)- da civilização industrial avançada conduzam à vitória da realidade unidimensional sobre toda a contradição.
Bsse conflito data das próprias origens do pensamento filosófico e tem surpreendente expressão no contraste entre a lógica dialética de Platão e a lógica formal do Organon aristotélico. O esboço do modelo clássico do pensamento dialético, que se segue, poderá preparar o terreno para uma análise das particularidades contrastantes da racionalidade tecnológica. Na ~sofia

clássica grega, Razão é a faculdade cognitiva para distinguir o que é verdadeiro e o que é falso, na medida em que a verdade (e~ falsidade) é primordialmente uma condição do Ser, da Realidade – e somente nessse terreno uma propriedade das pro osifões. Verdadeira locução, a lógica revela e expressa áqüilo que verdadeiramente é ~ distintamente daquilo que parece ser (real). E, em virtude dessa equação entre Verdade e Ser (real), a Verdade é um valor, porquanto Ser é melhor do que Não-Ser. Este último não é simplesmente o Nada; é uma potencialidade e uma ameaça de Ser – destruição. A luta pela verdade é uma luta contra a destruição, porque a “salvação” (aw’fLv) do Ser (um esforço que parece ser ele próprio des- trutivo se ataca uma realidade estabelecida como sendo “inve- I rídica”: Sócrates contra Cidade-Estado atenienSe,)’ Na medida I’ ( .em que a luta pela verdade “salva” a realidade da destruição, c verdade comproniete e empenha a existência humana. É o projeto essencialmente humano. Se o homem tiver aprendido a ver e a conhecer o que a realidade é, agirá em concordância com a verdade. Epistemologia é, em si, ética, e ética é epistemologia.
Essa concepção reflete a experiência de um mundo antagônico a si mesmo – um mundo afligido pela necessidade e pela negatividade, constantemente ameaçado de destruição, mas também um mundo que é um cosmo, estruturado de conformidade com causas finais. Desde que a experiência de um mundo antagônico guie o desenvo vlmento as cate oflas I osôflcas a iloso Ia se move num universo que é ram ido em si mesmo (déchirement ontologique – õiaime sional. AparencIa e reali- da e, inver a e e verdade e co veremos, não-liberdade e liberdade )[jão coõalÇões ontológicas.
A distinção não existe em virtu e ou por_culpa ç!,opensamento abstrato; está, antes, arraigada na experiência do unLverso do qual o pensamento participa na teoria e na prática. Neste universo, há modos de ser nos quais os homens e as coisas são “por si” e “como eles próprios”, e modos nos quais não são – isto é, nos quais existem na deformação, na limitação e na negação de sua natureza (essência). Para superar essas condi- ções negativas há o processo do ser e do pensamento. A Filosofia se origina na dialética; seu universo da locução reage aos’ fatos de uma realidade antagônica.
Quais os critérios para essa distinção? Em que bases é a condição da “verdade” destinada a um modo ou condição e não a outro? A Filosofia clássica grega assenta grandemente no que foi posteriormente chamado (num sentido assaz desairoso) “intuição”, isto é, uma forma de cognição na qual o objeto do pensamento aparece claramente como aquilo que ele realmente é (em suas qualidades essenciais) e em relação antagônica com a sua situação contingente imediata. Na verdade, essa evidência da intuição não é demasiado diferente da cartesiana. Não é uma faculdade misteriosa da mente, nem uma experiência estranha imediata, tampouco estando divorciada da análise conceptual. A intuição é, antes, o término (preliminar) de tal análise – o resultado da mediação intelectual metódica. Como tal, é a mediação da experiência concreta.
A noção da essência do homem pode servir de exemplo.
Analisado na condição em que ele se acha no seu universo, o homem parece estar de posse de certos poderes e faculdades que

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lhe permitiriam levar uma “boa vida”, isto é, uma vida ao máximo possível independente de labuta, dependência e feiúra. Alcançar tal vida é conseguir a “melhor vida”: viver de acordo com a essência da natureza ou do homem.

Na verdade, esta ainda é a sentença do filósofo; é ele quem analisa a situação humana. Submete a experiência ao seu jul- () gamento crítLc.o,_e_isto-contém_YU.Lj1!.lgªmemi. ~ Y!lI.9r_ a sâõer,0 de ue a liberdade da labuta é referível à labuta, e umã VI a in~ 1gen~~erív~ a .!lmll..vil;!ª-est.!Ípf9~. , Àconteceu éfliê7Filosofia nasceu com esses valores. O pensamento científico teve dêrõn’ipefeSsãUffiao àõjtrl’gamento do valor com a análise, porque se tornou cada vez mais claro que os valores filosóficos não guiavam a organização da sociedade nem a transformação da natureza. Eram ineficazes e irreais. A concepção grega já continha o elemento histórico – a essência do homem é diferente no escravo e no cidadão livre, no grego e no bárbaro. A civilização superou a estabilização ontológica dessa diferença

(pelo menos em teoria). Mas esse acontecimento ainda não invalida a distinção entre natureza essencial e natureza contingente, entre lormas verdadeira êlâlSãdêê’XiSfênéiã =Oastã’ndõ, d’ ., somente, que a dlstinçao se aenve-dê”-üma análise”ÚSgiCa’ da .;

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Para o Piatão dos últimos diálog~_p-ara Aris!9tele~,~~s ~ ~,

 (…)

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