CELACANTO PROVOCA MAREMOTO

 http://catalisando.com/goldenlist/celacanto.htm

Celacanto Provoca Maremoto
– por
Cris K.

  Fotos e recortes de jornais de 1977 a 2003

Em 1977, um estranho e intrigante grafite começou a aparecer aqui e ali nos muros de Ipanema, no Rio de Janeiro: CELACANTO PROVOCA MAREMOTO. Com o passar do tempo, foi pipocando em outros lugares e, do Rio, chegou à América do Norte e Europa. Mas até hoje seu significado e propósito continuam um mistério.

Entretanto, tal assunto não será mais um mistério para os nossos leitores. O autor do CELACANTO PROVOCA MAREMOTO é o jornalista carioca Carlos Alberto Teixeira (C@T).

A origem de tudo passa pelo seriado chamado National Kid, exibido na década de 60, propaganda dos produtos National, que depois virou Panasonic. Um dos episódios era sobre os seres abissais, e um deles era o peixe chamado celacanto.

Num dado momento, o Dr. Sanada, que era um dos personagens maléficos, dizia: “CELACANTO PROVOCA MAREMOTO”. E não provocava nada, quem provocava era um submarino chamado Guilton, que tinha uma boca com uma lâmina dentro, uma viagem completa. Este negócio ficou na cabeça de Carlos até 1977, quando ele bolou no caderno um grafismo de “CELACANTO PROVOCA MAREMOTO” circundado por uma moldura com uma seta, que caía em uma gota com dois tracinhos ao lado, mostrando que ela estava “tremendo”:

Aquele era apenas o início. O próprio Carlos conta como a brincadeira foi crescendo e como ficou famosa a ponto de aparecer em noticiários da época:

– Um dia, após a aula, peguei giz e enchi a sala com tal representação. Era na parede, era no quadro-negro, era no chão, no teto, enfim, enchi a sala de aula e aquele negócio virou um símbolo. Na época eu tinha 17 anos, e fazia esse grafismo com giz em tapume de obra, o que gerava um contraste legal do giz branco com a madeira de coloração escura. Depois, comecei a comprar Pilot (caneta hidrocor, conhecida como pincel atômico). Ensinei alguns amigos a fazer a pichação CELACANTO PROVOCA MAREMOTO, pois havia um estilo que indicava que era eu quem estava fazendo, e não uma mera cópia (havia gente que copiava e dava para perceber que não eram da minha linhagem).

O grande salto foi usar spray e aí começou a se formar uma equipe que chegou a totalizar 25 pessoas, com gente pichando até em Washington e em Paris. Como era um trabalho que a gente fazia na madrugada, havia muita pichação na zona sul do Rio, em Ipanema, Leblon e Copacabana. Por ser uma região de gente muito cabeça, as pessoas começaram a perguntar: Ah, Celacanto, o que será isso?

Na mesma época, havia uma outra pichação, o Lerfá Mu, uma coisa de maconha. Tanto eu quanto esse Lerfá Mu estudávamos na PUC do Rio, e começamos uma batalha nos banheiros, que ficavam totalmente rabiscados: eu ofendendo o Lerfá Mu, ele respondendo… Até que um dia surgiram outros pichadores na área do Jardim Botânico e Leblon lutando contra o Celacanto e o Lerfá Mu, o que ocasionou uma aliança entre nós dois. Nos banheiros da PUC marcamos um encontro numa esquina de Copacabana. Para nos reconhecermos mutuamente, deveríamos ir com um chapéu ou com uma vassoura um guarda-chuva. Eu fui de chapéu e ele de vassoura guarda-chuva; nos reconhecemos e nos abraçamos e tal. Há alguns anos, soube que o Guilherme – autor do Lerfá Mu – faleceu de cirrose hepática.

A imprensa começou a investigar as pichações, afirmando que o CELACANTO era um código de encontro entre traficantes, imagina. Outros afirmavam que eram mensagens de extraterrestres, pois naquele tempo, e até hoje, é difícil encontrar uma pichação que seja uma frase, e ali havia um período completo, sujeito, verbo e objeto. Geralmente o cara botava o nome, ou um grafismo só, ou uma sigla, e essa frase, justamente por ser uma oração completa, despertava a curiosidade das pessoas.

Com a intensa especulação dos repórteres sobre “o que será?”, “quem será”, o então prefeito da cidade, o falecido Marcos Tamoio, instituiu uma multa exorbitante para aqueles que fossem apanhados pichando. Os moradores da Tijuca pegaram um dos pichadores que tinha um dos grafites mais lindos, o Megalodon (com o desenho de um tubarão), encheram o cara de porrada, deixaram-no de cueca e picharam-no todinho, largando o rapaz do meio da rua.

Meu pai trabalhava no Jornal do Brasil, um dos mais importantes do Rio, e uma das repórteres procurava descobrir que era o Celacanto. Meu pai chegou pra mim e disse: Carlos, não é uma hora boa para você aparecer? Aí você passa a ser domínio público, é visto como uma figura interessante e, quem sabe, escapa dessa multa, caso te peguem numa dessas aí de noite. Os meus pais sempre foram contra essa história de pichação, ficavam preocupados, mas eu fazia mesmo, não tinha jeito. Resultado: Topei, a repórter foi lá em casa, tirou fotos e publicou uma entrevista com meu nome, idade, o que eu fazia (na época eu cursava Física) e tudo o mais. Então eu saía na rua e era reconhecido, olha lá o Celacanto e o meu ego explodia… Pichei mais um tempo e aí fui diminuindo, pois precisava começar a ter que estudar mais para a faculdade (que era uma dureza) até que terminei abandonando o grafite.

Uns dez anos depois, recebi um telefonema:

– É você o Carlos Alberto Teixeira?
– Sim, sou eu mesmo.
– O autor do Celacanto?
– Exatamente.
– Ah, nós precisamos da sua ajuda.
– O que que foi?
– Precisamos que você faça o grafite de um cenário do programa da Angélica, na TV Manchete.
– Olha, eu faço, o preço é tanto…

Eu dei um preço exorbitante, os caras toparam, pedi um monte de material e eles me pegaram em casa numa tarde de sábado, me levando para uma estação de trem em Niterói. Ó, é aqui, você pode pichar à vontade. Fiquei pichando lá até a madrugada, uma beleza, tenho até fotos disso, e acabei ganhando dinheiro como artista plástico. Tenho o recibo lá em casa até hoje, “Carlos Alberto Teixeira, artista plástico”, graças ao CELACANTO PROVOCA MAREMOTO.

Aí começaram a surgir pessoas dizendo ah, eu inventei o Celacanto. Eu ficava olhando pra pessoa e dizia “escuta, inventou nada, quem inventou fui eu”, e os caras diziam “ah, desculpa, eu não sabia”. Encontrei uns três caras afirmando que criaram o Celacanto e eu ia lá para conferir e os desmascarava, já que eles não tinham argumentos: “criou onde?”, “desde quando?”, “onde surgiu?” e ninguém sabia.

Eu pichava só tapume e parede. Jamais pichei pedra, monumento ou árvore. Eu só pegava lugares escolhidos a dedo, como na “saída” de curvas, por exemplo: quando o cara saía da curva de São Conrado, lá na Barra, dava de cara com uma casa onde tinha a inscrição do Celacanto bem no centro, o que causava uma impressão boa. Agora, qual o motivo disso aí? No meu caso, eu acho que sempre tive uma ânsia por comunicação, por passar uma mensagem, e o Celacanto foi isso, foi algo tão bem feito na época que ficou famoso e não tem ninguém do pessoal da década de 70, da zona sul do Rio, que não se lembre do “CELACANTO PROVOCA MAREMOTO”.

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Celacanto

Os celacantos (agrupados no clade Actinistia) são um grupo de peixes sarcopterígios aparentados com os dipnóicos e com várias espécies extintas no período devoniano, como os Osteolepiformes, Porolepiformes, Rhizodontiformes e Panderichthys.[1] [2]
Acreditava-se que os celacantos teriam sido extintos no Cretáceo Superior, porém, foram redescobertos em 1938 no litoral da África do Sul.[3] Latimeria chalumnae e Latimeria menadoensis são as duas únicas espécies vivas do celacanto, encontradas ao longo da costa do Oceano Índico.[4] Foi apelidado de “fóssil vivo“, porque os fósseis destas espécies haviam sido encontrados muito antes da descoberta de um espécime vivo.[1] Acredita-se que o celacanto tenha evoluído ao seu estado atual há aproximadamente 400 milhões de anos.[5]
Sua característica mais importante é a presença de barbatanas pares (peitorais e pélvicas) cujas bases são pedúnculos musculados que se assemelham aos membros dos vertebrados terrestres e se movem da mesma maneira. São os únicos representantes vivos da ordem Coelacanthiformes.
Quando o primeiro espécime vivo foi encontrado, em 25 de dezembro de 1938, já se conheciam cerca de 120 espécies de celacantiformes (Coelacanthiformes) que eram considerados fósseis indicadores, ou seja, indicando a idade da rocha onde tinham sido encontrados. Todos esses peixes encontravam-se extintos desde o período Cretáceo.
São conhecidas populações destes peixes na costa oriental da África do Sul, ilhas Comores (no Canal de Moçambique, também no Oceano Índico ocidental) e na Indonésia e decorre um programa de investigação internacional com o objectivo de aumentar o conhecimento sobre os celacantos, o South African Coelacanth Conservation and Genome Resource Programme (Programa Sul-Africano para a Conservação e Conhecimento do Genoma do Celacanto.[6]
Antes da descoberta de um exemplar vivo, acreditava-se que o celacanto era um parente próximo do primeiro vertebrado a sair das águas, dando origem a um novo grupo de vertebrados conhecidos como tetrápodes, que inclui os humanos.
Novas descobertas apontam que o genoma do Celacanto possui informações que podem ajudar a entender melhor a evolução dos tetrápodes. (Nature, 2013 vol.496 pag. 311-316).(…)

*ver mais frases em muros aqui:
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2015/09/frases-e-muros.html

 

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