CEMITÉRIO DOS PRETOS NOVOS – GAMBOA – RIO DE JANEIRO

 http://cafehistoria.ning.com/profile/INSTITUTOPRETOSNOVOSIPN


* Uma família residente na zona portuária do Rio de Janeiro, viveu por um bom tempo sobre um cemitério, ou parte de tal cemitério, com aproximadamente 50 mil corpos enterrados de africanos escravizados, que não conseguiam sobreviver as agruras da longa e cruel viagem de navio entre o continente africano e o Brasil, no século XIX.
Num certo momento da vida familiar destas pessoas, resolveram fazer uma reforma de ampliação da casa, e então o empreiteiro que iniciava perfurações  no solo, deparou-se com ossadas demais, avisou a dona da casa, que desistiu da reforma, e resolveu criar um memorial : http://www.pretosnovos.com.br/

http://www.geledes.org.br/novos-ossos-de-escravos-sao-descobertos-no-centro-rio-de-janeiro/

(…)HISTÓRICO
 
O Cemitério dos Pretos Novos foi primeiramente encontrado pela descendente de espanhóis, Ana Maria de la Merced Guimarães dos Anjos, conhecida como Merced, e o marido Petrucio Guimarães durante uma obra na casa que haviam comprado ao lado da sua. Eles queriam fazer um estacionamento no local, para uma renda extra, mas se depararam, quando começaram a escavar, com uma grande quantidade de ossos. Pararam a obra e chamaram os peritos da prefeitura.

Os estudos arqueológicos revelaram que aquele local vinha sendo procurado há muito tempo por pesquisadores porque fora descrito pelos visitantes estrangeiros que vieram para o Brasil no início do século XIX. Chocados, eles descreveram o cemitério com palavras fortes.
Em 1814, o alemão G. W. Freireyss escreveu: “No meio deste espaço [de 50 braças] havia um monte de terra da qual, aqui e acolá, saíam restos de cadáveres descobertos pela chuva que tinha carregado a terra e ainda havia muitos cadáveres no chão que não tinham sido ainda enterrados”.
Outro, um inglês, relatou: “Quase não é preciso acrescentar-se que nesses cemitérios assistiam às mais repugnantes cenas aqueles que entendiam de escolhê-los para campos de suas observações, sendo o mau cheiro intolerável, e pondo eles em sério perigo a saúde da cidade, enquanto não houver uma reforma”.
Pesquisadores e os donos da casa se uniram para transformar o local no que hoje é o Instituto dos Pretos Novos, um centro cultural e de preservação da história da escravidão e dos negros.(…)

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(…)”A escravidão deve ser materializada”, diz Tânia Andrade Lima, arqueóloga do Museu Nacional, no Rio, e coordenadora do projeto de escavação do Cais do Valongo, porto por onde passaram, entre 1811 e 1831, 1 milhão de africanos. Foram as obras do Porto Maravilha, a revitalização da área portuária carioca iniciada neste ano tendo em vista as Olimpíadas de 2016, que permitiram aos arqueólogos reabrir a “cena do crime” oculta desde 1843, quando foi recoberta com 60 centímetros de pavimento e se transformou no Cais da Imperatriz, lugar de recepção para Teresa Cristina, a futura mulher de Pedro II. “Havia outros lugares, mas se optou pelo Valongo como forma de apagamento das manchas passadas da escravidão”, diz Tânia. Essas cercavam todo o cais, formando o complexo do Valongo. Casas próximas armazenavam e comercializavam os negros (veja vídeo sobre as escavações). Quem ficava doente era levado ao lazareto vizinho, onde o tratamento se reduzia a “sangrias” feitas por barbeiros negros. Os que não resistiam eram enterrados, com total descaso, em valas comuns a poucos metros do cais. Logo, o sítio é o sonho de qualquer arqueólogo, trazendo à luz, diariamente, pilhas de objetos pessoais e rituais dos chamados “pretos novos”, cativos recém-chegados da África: contas, búzios, cachimbos, brincos com a “meia-lua” islâmica, miçangas e até “pedras de assentamento de orixás”. Sacerdotes e especialistas na cultura e religião africanas ajudam a reconhecer e catalogar os achados.
“O complexo do Valongo foi criado para tirar os negros do centro do Rio, pois eles eram vistos como ameaça à saúde, ‘carregadores de doen-ças’ e um perigo à ordem pública”, explica o historiador Cláudio Honorato, autor do estudo Valongo: o mercado de escravos do Rio de Janeiro (Universidade Federal Fluminense, UFF, 2008). “O Valongo era parte do projeto ‘civilização nacional’, intensificado com a transformação do Rio em sede do Império. Mas resultou de um paradoxo: criar uma Corte ‘europeia’ com multidões de negros soltos pelas ruas. Pensou-se que a solução seria usar os escravos para criar a cidade à altura do rei. Esse movimento, porém, aumentou a demanda por mais escravos e, assim, a cidade não conseguia perder as ‘feições do atraso’. Era preciso diminuir um pouco daquela promiscuidade e, assim, tirou-se o mercado escravista da região do Paço, levando-o para um lugar distante e desabitado: o Valongo, um porto natural na Gamboa”, construído por ordem do vice-rei, o Marquês de Lavradio. Em pouco tempo, o comércio de escravos atraiu a população e o local virou um dos mais movimentados do Rio. Além do cais, o complexo do Valongo abrigava 50 “casas de carne”, onde os negros recém-chegados eram negociados. “A primeira loja de carne em que entramos continha 300 crianças. O mais velho podia ter 12 anos e o mais novo, não mais de 6. Os coitadinhos ficavam agachados num armazém. O cheiro e o calor da sala eram repugnantes. O termômetro indicava 33ºC e estávamos no inverno!”, escreveu o inglês Charles Brand em 1822.(…) http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/12/24/ossos-que-falam/



https://pt.wikipedia.org/wiki/Cemit%C3%A9rio_dos_Pretos_Novos

Memorial dos Pretos Novos

Rio de Janeiro, RJ
Rua Pedro Ernesto, 34 e 32 – Gamboa
Telefone: (21) 2516-7089
pretosnovos@pretosnovos.com.br
Horário: Terça a sexta, das 13 as 19 horas.

  
http://www.museusdorio.com.br/joomla/index.php?option=com_k2&view=item&id=83:memorial-dos-pretos-novos

http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2011/12/024-029_190.pdf?564857.


DISCURSO SILENCIOSO

http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/16/discurso-silencioso/


Enviado em 16 de jan de 2012
No século 19, um milhão de escravos foi negociado no Cais do Valongo, no centro do Rio de Janeiro. Uma reforma recente feita no local, para receber os Jogos Olímpicos de 2016, revelou os restos mortais de africanos trazidos ao Brasil que fazem parte dessa história. Agora, o trabalho transdisciplinar de historiadores, arqueólogos, geneticistas e patologistas pode, finalmente, trazer à tona um dos crimes mais terríveis já cometidos: a escravidão.

Saiba mais detalhes na reportagem: http://revistapesquisa.fapesp.br/?p=1049

English version: http://youtu.be/s6KbhJzUOtE

https://www.youtube.com/watch?v=RQK_8pn0U3E

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